sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Frustração

Eu tive cinco anos e a minha frustação era quando meu pai ia assistir o jornal na TV do meu quarto na hora da minha novela infantil favorita. Eu tive oito anos e a minha frustação era não acompanhar o ritmo que as bonecas e suas casinhas apareciam no mercado, eu só tinha uma de cada vez. Eu tive dez anos e minha frustação era minha mãe não me permitir sair de bicicleta a noite como todo mundo fazia. Eu tive treze anos, dei meu primeiro beijo e a minha frustação era não saber se já era bom o sufisciente. Eu tive quinze anos e já tinha namorado e a minha frustação era não ter aproveitado o sufisciente- ele não era meu grande amor pra que eu abrisse mão de tudo, tão cedo-. Eu tive dezessete anos e tinha uma paixão que vinha desde o fim dos quinze, passando pelos dezesseis e a minha frustação era essa paixão ser tão inconstante. Eu tive dezoito anos e queria um verdadeiro amor e a minha frustação era ainda não ter encontrado, foi aí que ele apareceu, me fez feliz, me quis bem, cuidou de mim mas depois, brincou com os meus sentimentos, desvalorizou tudo de bom que eu fazia e eu tive que mandar ele embora. Hoje tenho dezenove anos e a minha frustação foi ter perdido tanto tempo julgando aquilo como amor, cuidando como se fosse amor, quando na realidade o que é amor, ainda está por vir.

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