segunda-feira, 26 de setembro de 2011

De uma carta editada

Por milhares de vezes acordei sorrindo bobo, olhando ao redor para cada detalhe do teu quarto de paredes azul piscina, tocando os lençóis de algodão que passavam por baixo e por cima de mim e de ti, depois de sentir o ambiente olhava para o lado e te assistia de olhos fechados, dormindo como acredito que dormem os anjos, suas pálpebras enormes, seu nariz perfeitamente encaixado na simetria do teu rosto, sua boca com linhas e encruzilhadas que formavam caminhos certos quando se encontrava com a minha. Você abria os olhos e a partir dali eu não sabia mais o que esperar, poderia vir um ataque de fúria, ou até um sorriso largo seguido de abraço forte. De olhos abertos você se tornava um estranho que me deixava insegura, me deixava sem certeza do quanto poderíamos durar-se é que poderíamos- e com o passar do tempo, abrindo meus olhos ao teu lado todas as manhãs, pude perceber algo que de início me pareceu até mesmo assustador; eu não conhecia você, o você que eu tinha não existia, eu havia imaginado um anjo, e tudo era ilusão, até os dias de sorrisos largos e abraços por mais que tivessem realmente existido, os abraços serviam só para que você ainda de voz rouca pudesse sussurrar em meu ouvido: ''Preciso de água.'' Tudo era de mentira, coisas criadas pela minha mente e coração, sendo eles cúmplices de tudo isso. E naquele dia acordei mais cedo, não toquei em nada, não olhei ao redor, não olhei para os lados, e muito menos para trás, saí com os olhos marejados de lágrimas, teve que ser assim, saindo desta forma quem sabe seria notada, não, você apenas passou a dormir com um copo cheio de água na mesa de cabeceira, só espero de verdade que se um dia perceber que fui embora- se encontrar e ler o que estou escrevendo agora- possa me desculpar, é só que tudo isso foi demais para mim.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Por A-caso

Há um certo tempo que não sonho com você, resultado da quantidade de séculos- no calendário dos apaixonados- que passaram desde a última vez que te vi e por incrível que pareça, mesmo que não tenha sido ontem, é exatamente como se fosse, consigo lembrar com clareza até mesmo a cor mostarda da linha que fazia a costura de sua blusa montando algo tom sob tom no amarelo sol do tecido, que nem notei mais quando passei a fitar a sincronia perfeita de tua feição ao sorrir. Pois é fazia tempo, eu já estava acostumada e aí você hoje resolve aparecer assim na minha frente, é claro que tive que segurar meu queixo e colocar toda minha força naquela expressão fria que criei de um segundo para outro, amarrei a voz num tom rude para dizer ''oi'' sem expressar nada que viesse de dentro do coração, não sei se deu certo, pelo menos tentei. Preciso te elogiar você também fingiu muito bem, estava fingindo não é mesmo?
Ao finalmente passar por você, desmoronei, tudo em mim fervia e pedia pra que meu corpo voltasse, e perguntasse qualquer coisa, puxasse alguma conversa de elevador, resisti e desci correndo todo restante de escadarias, já sabendo quem estará nos meus sonhos nas semanas que vem a seguir

domingo, 4 de setembro de 2011

E pra sempre fim.

E daí a gente acorda e descobre que o sonho era só sonho e o pesadelo era mesmo realidade, atende o telefone e escuta de novo as coisas que todos já cansaram de dizer, e a gente já cansado de saber mas escuta assim mesmo, querendo acreditar. A hora certa do ponto final sempre chega, e quando a gente não aceita e segue em frente com teimosia, as coisas são muito duras com a gente e nos fazem cair de qualquer altura que estivermos.
 Lembro-me exatamente da última vez que pude te ver sorrir, você vestia verde e me perguntou se eu podia te amar para sempre, eu respondi que poderia te amar até depois de sempre. Segundos depois você não estava mais sorrindo e me perguntou se eu podia te amar mesmo se você fosse embora, eu respondi que não só poderia amar como esperar pelo resto de minha vida, depois disso você foi para trás das cortinas e desapareceu, claro que eu podia esperar, se fosse só por você eu poderia mas tudo ficou difuso dentro da história, e não era mais só isso, havia agora toda uma nova vida e o ponto final foi duro comigo, eu não tive mais alternativa, tive que aceita-lo, você teve que aceitar, somos pontos distantes, não cabemos mais, sua vida não completa mais a minha e eu nem sequer sei caber mais na sua e se hoje eu te desse o direito de vir a mim questionar alguma coisa, eu sei que a pergunta que você faria, seria a mesma, se eu posso te amar para sempre, mas não, eu não posso, não posso te amar mais e se eu te desse ainda o direito a um segundo questionamento eu sei que seria também igual a outra daquele mesmo dia, se eu podia te amar mesmo se você fosse embora, mas não, se você tivesse apenas ido embora a resposta ainda seria sim e para sempre mas você agora tem um buraco no fundo do armário, uma fuga de ligação eterna, e eu jamais me permitiria viver algo com ligações eternas no meio. E sobre esse ponto final; antes eram vírgulas e eu tinha direito de falar tudo que quisesse mas agora é o fim, me recuso a falar sobre qualquer coisa ainda nesse sentido. Nunca mais escreverei sobre esse amor, é uma promessa.