quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Confissão

Aquele olhar cheio de raiva e uma pitada de doçura no fundo atravessou a sala vazia e parou em mim, depois daz pergunta feita que de fato o tocou profundamente, no mesmo segundo e ele só teve como dizer: ''-Por que você pergunta sobre ela?'' eu sorri e disse, é só que quero algo diferente pra colocar no meu blog, uma história de garoto, saber como vocês se sentem. Depois disso ouve uma pausa, de dois minutos, pausa que ele interrompeu dizendo que falaria sobre ela mas que precisava de algo etílico pra não doer tanto, eu concordei é claro, com certeza seria mais divertido ouvir quando ele estivesse enrrolando a língua, entreguei pra ele o copo e a garrafa, permaneci em silêncio, observando ele procurar entre todos os cds da estante, algum que coubesse no momento que ele falaria da sua musa, finalmente encontrou e não me surpreendi vendo que ela mesma havia lhe presenteado com o mesmo, ele passou algumas músicas e entre os intervalos de segundos que as músicas passavam para começar, ele sempre bebia uma pouco e não demorou mais que meia hora pra que ele perguntasse se já podia começar a falar, eu é claro respondi que sim-sem demonstrar muita ansiedade, ele largou o copo em cima da mesinha e fechou os olhos como se a música estivesse agora entrando em seu ser e só então começou; ''Sabe, ela era tudo que eu sempre quis, muito mais que um sonho de verão, ela era quem eu queria aqui agora e me perdoe a sinceridade mas até mesmo no seu lugar, minha querida amiga mas se for pra ser sincero eu sei que a culpa dela não estar mais aqui é minha, esse instinto de homem de nunca se contentar com o que tem por mais que seja a melhor coisa do mundo, sim, ela era a melhor coisa do mundo. Ela nunca estava feia pela manhã, eu sempre acordava mais cedo que ela, pra poder ver se alguma coisa havia mudado em seu semblante tão perfeito mas não, ela sempre estava linda como eu a conhecia, sempre vestida com a camisa que eu usara nas noites anteriores e seus  cabelos que mais pareciam ouro brilhando com o sol da manhã que vinha da janela, esparramados agora pelo meu travesseiro que ela tomava conta assim que eu colocasse os pés pra fora da cama e quer mesmo saber? o cheiro dela ainda está lá, eu posso ir busca-lo pra poder continuar?''.
Eu estava tão fascinada por tudo que ele dizia que demorei um pouco pra perceber que a pergunta dele se dirigia a mim e que ele me olhava pra saber a resposta que é claro foi um sim, quanto mais dor em lembrar ele sentisse mais bonito seria ouvir ele falar e ele foi, saiu num salto e voltou antes que eu pudesse notar que havia saído, sentiu o cheiro do travesseiro, duas ou três vezes e desatou mais uma vez a falar; ''O mais bonito de tudo sabe? era quando eu lhe dava amor, quando fazíamos amor, ela sempre ficava deitada de barriga pra cima e olhos fechados como se imaginasse algo desenhado no teto e sorria com o canto da boca, enquanto eu virava de bruços para o lado da cama em que ela estivesse, só pra observa-la, sem nem ao menos tocar nela, só pra não perder aquele momento, pra ela não se assustar e parar com aquele sorriso de canto que me fazia querer estar dentro de sua imaginação e eu sempre acabava adormecendo, nesse transe que se fazia entre observar suas belas formas e querer fazer parte de cada pensamento dela. Acabava me surpreendendo pela manhã, quando a olhava e ela sempre estava vestida, com roupas minhas mas estava e eu ficava tentando lembrar em que momento da noite ela havia saído do meu lado, ela era tão fada, tão anjo que eu nem ao menos sentia ela se mover e ela usava de tanta delicadeza propositalmente , só pra que eu pudesse descansar sem ser interrompido, mas sabe? se eu soubesse que ela desistiria da minha inconstância tão cedo assim, eu teria segurado meu sono por todas as noites, só pra não perder nenhum segundo de seus passos e gestos e tem mais uma coisa, se te interessa mesmo saber, eu quero ela de volta ou pelo menos quero falar com ela pra ela não pensar que deixei de sentir amor, quero saber também se ela ainda sente e então quem sabe ela me dê uma segunda chance? ou seria essa a terceira? já nem sei mais mas quero ela de volta!''
Ele pegou o celular, saiu da sala e me deixou sozinha, como se tivesse falado o tempo todo com uma parede ele nem ao menos pediu licença, não sei se ele teve ela de volta mas mesmo que não, ele ao menos tentou, resta saber também se ela entendeu quais eram as intenções do meu querido amigo, já que a essa altura ele já enrrolava a lingua mais do que era permitido para compreensão.

Um comentário:

  1. Dany minha linda que textooo viu! arrasou
    parabéns : )
    Nay
    http://duas-de-mim.blogspot.com

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